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Reflexães
sobre o tempo No primeiro congresso da "Aliança para a Infância" em Bruxelas, em outubro do ano 2000, pessoas do mundo inteiro que trabalham e se preocupam com crianças se juntaram para tentar entender o que é a infância no início deste novo milênio e qual é o seu futuro. Assim como o meio-ambiente físico sofre agressões pela poluição da terra, da água e do ar, podemos dizer que o meio-ambiente humano no qual vivemos também está sendo poluído com fatores como a falta de tempo, o estresse, a falta de movimento, as influências da mídia, da televisão, o consumismo exacerbado, etc... O tempo, o espaço do ser humano estão sobrecarregados e isto tem uma influência particularmente grave no desenvolvimento da criança. Foram debatidos assuntos como a violência, a tecnologia de comunicação, os maus-tratos. Mas eu queria compartilhar com vocês, nesta edição do Colibri, algumas reflexões sobre o tempo*. A criança percebe o tempo
de forma mais lenta - ela vive numa outra zona de tempo que os adultos.
Ela vê o mundo de forma nova, a cada instante, com todos os sentidos
abertos. Uma outra pesquisa nos diz que nos EUA os pais têm em média 20 minutos por dia para dedicar ao seu filho. Sabendo que as crianças americanas passam de 2 a 3 horas por dia na frente da televisão, percebemos um desiquilíbrio nesta relação. Podemos então nos questionar: que modelo os pais são para as crianças, e que modelo a televisão oferece para elas? A pressa, a falta de tempo, a aridez
generalizada, tem conseqüências sobre o desenvolvimento das
crianças que podem se manifestar em vários níveis:
insatisfação, frustração, falta de concentração,
desconfiança, desinteresse pelo mundo ou, se for mais grave, sinais
de estresse, depressão, distúrbios do sono e da alimentação
e doenças físicas.. Atividades de alta velocidade na TV, vídeo, jogos eletrônicos levam a uma hiper-estimulação e a uma insatisfação com o presente. Perdemos a compreensão do tempo e isto se manifesta na maneira como vivemos no planeta Terra: perdemos a relação equilibrada entre exploração e regeneração dos recursos naturais. O ser humano e o planeta Terra têm grandes capacidades de adaptação. Mas até onde, e quais conseqüências desconhecidas de nós isto poderá ter? E, principalmente, quais conseqüências isto terá nas crianças que são o futuro da humanidade? É preciso sarar a nossa relação com o tempo. E a resposta é simples: é só com tempo. Não é só o tempo da criança que precisa ser respeitado. É o nosso também. O tempo de ter fome e de comer, o tempo de ter sono e de dormir, o tempo de sentir, ver, agir, o tempo de parar. O tempo da vida humana e o tempo da natureza. Um tempo cheio de amor, confiança e tranqüilidade propicia as vivências que a criança precisa ter para crescer de maneira íntegra e saudável, fazendo uma coisa depois da outra, podendo errar e recomeçar. É importante que todas as atividades que a criança presencia e das quais participa, tenham um sentido, um início e um fim. A criança tem curiosidade em relação ao tempo - podemos orientá-la, falando sobre o que foi e o que será - o ontem, o hoje e o amanhã. A relação com a natureza é muito benéfica, pois nela tem a espera , o crescimento e a maturidade. Como educadores, pais ou professores, propiciamos experiências diferenciadas . A criança vai pegar o que ela precisa no momento adequado para si. Só o que ela consegue por si será verdadeiramente aprendido.
1. Tempo para o desenvolvimento
individual: necessidades individuais, processo de aprendizagem, prontidão
1. Tempo para perceber e conhecer
o mundo ao seu redor O mais precioso que podemos dar para nossas crianças é tempo. Isto exige paciência e prontidão: estar verdadeiramente presente. * Reflexões
baseadas em trabalhos de:
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